A Atento operava dois produtos de IA para seus agentes de atendimento como se fossem empresas diferentes: Agent Assist (sugestão em tempo real durante a ligação) e Knowledge Assistant (busca por chat em bases de conhecimento). Cada um com login, telas e lógica próprios. Entrei como Lead / especialista de produto para resolver isso na raiz, não um reskin visual, mas uma correção de modelo mental, unificando os dois em uma Agent Platform onde a base de conhecimento vira um módulo de dados reutilizável, e não mais um produto concorrente. Depois da unificação, estendi a atuação para a frente comercial: ajudei a reestruturar o pitch de vendas e o modelo de precificação do produto de IA junto a stakeholders de Produto, Comercial e Executivo. O resultado combinado (arquitetura unificada + reposicionamento comercial) sustentou uma adesão de cerca de 1.000 agentes ativos por dia, uplift mensal de conversão de vendas consistentemente acima de 10% e a expansão da operação para novos países.
Agent Assist e Knowledge Assistant nasceram como dois produtos separados dentro da mesma operação. Isso gerava um problema conceitual antes de gerar um problema de interface: usuário não sabia onde um produto terminava e o outro começava, criação de base de conhecimento exigia preencher tabelas complexas com muita informação logo de cara, arquivos ficavam presos a um único fluxo sem reaproveitamento, e a arquitetura fragmentada gerava retrabalho constante tanto pra quem usava quanto pra quem mantinha o produto. O objetivo de negócio era claro: transformar duas ferramentas desconexas em uma plataforma de agente única, capaz de sustentar casos de uso futuros e de virar produto vendável para outras operações além da própria Atento.
Propus e liderei a unificação em uma Agent Platform única, onde a base de conhecimento deixa de ser um produto à parte e passa a ser um módulo de dados versionável, reutilizável por múltiplos assistentes. Especifiquei a configuração de recuperação e o teste conversacional da base de conhecimento e um dashboard de uso da plataforma, e criei um processo próprio de QA de design para garantir fidelidade entre Figma e build. Depois de validada, levei essa arquitetura para fora do produto: participei da reestruturação do pitch comercial e da precificação que sustentou a expansão da operação para novos países.
Seis movimentos que transformaram dois produtos de IA fragmentados numa plataforma única, com desdobramento direto em resultado comercial.
Investiguei a causa raiz das falhas e liderei a unificação em Agent Platform
Especifiquei a configuração de teste da base de conhecimento e o dashboard de uso da plataforma
Criei um processo de QA de design e levei a arquitetura para o pitch comercial
Analisei feedback real de operadores (comentários de nota cruzados com prints de tela) e separei sintoma de causa raiz. "Às vezes funciona, às vezes não" (nota 3) apontava pra suspeita de rate limit não comunicado ao usuário ou falha de roteamento entre bases no modo automático. "Não entende o conteúdo da ligação" (nota 5) era falha de roteamento do RAG, não problema de prompt. "Toma muito espaço da tela" (nota 0) era distribuição vertical ruim, o campo mais usado caía abaixo da dobra, não excesso de conteúdo. Esse cruzamento de causa raiz foi o que justificou a decisão de arquitetura seguinte, em vez de ir direto pra uma reforma visual.
A decisão central: Knowledge Base deixa de ser um produto próprio e passa a ser um objeto independente, versionável e consultável por múltiplos assistentes (Workflows), com ciclo de vida próprio (Draft → Processing → Ready → Active → Archived). Assistant passa a significar sempre Workflow, sem mais "tipos" de assistente disputando espaço conceitual. Simplifiquei a criação para minimalista na entrada, com configuração progressiva em abas depois, tirando peso da primeira interação.
Desenhei o painel onde quem administra uma base de conhecimento ajusta os parâmetros de recuperação (modelo, tamanho de resposta, número de documentos, limite de correspondência, busca refinada) e testa a resposta do assistente contra aquele conteúdo antes de publicar. É esse painel que torna a base de conhecimento um componente de IA configurável e testável, não um repositório de arquivo estático. O handoff documentou também o estado bloqueado, quando o grupo de conteúdo ainda não terminou de processar, com a regra de negócio explícita, não só o caminho feliz.
A operação precisava conseguir tirar sozinha um relatório de uso dos assistentes e das bases de conhecimento, sem depender de pedido manual pra engenharia toda vez que alguém de produto ou comercial precisava desse número. Especifiquei um dashboard com volume e taxa de sucesso dos workflows executados, tempo médio de execução, volume de consultas às bases de conhecimento e quantas vinham com baixa confiança ou erro, e execuções de LLM — dado operacional de um produto de IA, não uma métrica de produto genérica.
Percebi que desenvolvedores frequentemente não seguiam o que estava especificado no Figma. Implementei uma etapa própria: toda entrega de desenvolvimento passa por uma revisão minha de design QA antes de ir para o QA funcional. Rodei essa auditoria formal comparando Figma/handoff contra o build em desenvolvimento no módulo de Assistants, com resultado reprovado: 40 inconsistências encontradas, sendo 10 bloqueantes, entre elas abas inteiras faltando (Knowledge e Runs), checklist de setup permitindo publicar assistente sem conhecimento nem arquivos vinculados, e duas versões divergentes do modelo de permissões dentro do próprio arquivo de Figma.
Com a plataforma unificada validada, atuei diretamente com stakeholders de Produto, Comercial e Executivo para melhorar o pitch de vendas do time comercial e reestruturar o modelo de precificação dos produtos de IA para o mercado. Validamos essa nova proposta com um cliente piloto no Brasil antes de escalar. Esse reposicionamento comercial, apoiado na base de produto que unifiquei, sustentou a expansão da operação de IA para novas contas internacionais de grande porte.
Um case sênior mostra o que foi sacrificado e o que ainda não tem resposta, não só o que funcionou.