Uma grande rede hospitalar precisava reduzir de forma agressiva o custo operacional da recepção presencial em pronto-socorro, ambulatório e internação cirúrgica, jornadas de alto volume e alta complexidade. Entrei na squad Fast Check-in para redesenhar esse processo do zero: herdei e reestruturei o fluxo dos totens de autoatendimento (ambulatório e pronto-socorro), fui dona desde o início do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico, e escrevi as regras de negócio e critérios de aceite de cada tela, cobrindo na prática também o papel de Product Manager. A meta da empresa era eliminar quase toda a recepção humana. Entreguei uma redução de 66% no custo operacional, medida após o lançamento, preservando atendimento presencial para os casos que a automação não resolve.
A rede opera pronto-socorro adulto e pediátrico, ambulatório e internação cirúrgica, cada um com uma jornada de recepção diferente e um volume alto de atendimentos. A recepção era inteiramente humana, o que gerava fila, tempo de espera longo e um custo operacional que a empresa considerava insustentável. O objetivo de negócio era claro e agressivo: a liderança queria reduzir drasticamente o custo de recepção, o que na prática significava reduzir o quadro de profissionais de recepção presencial.
Redesenhei a recepção como um fluxo digital ponta a ponta: reestruturei o totem de autoatendimento (ambulatório e pronto-socorro) e fui dona, desde o início, do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico, escrevendo eu mesma as regras de negócio e os critérios de aceite de cada tela. Antecipei para o digital uma etapa que hoje só acontece presencialmente, a assinatura de liberação junto ao convênio, e validei o fluxo mobile com um protótipo navegável testado com pacientes reais antes do lançamento.
Seis movimentos que transformaram uma recepção inteiramente humana num fluxo digital ponta a ponta, sem abrir mão do atendimento presencial para quem precisa dele.
Mapeei a jornada real e escrevi as regras de negócio de cada tela
Reestruturei o totem e fui dona do fluxo mobile de pré check-in
Antecipei uma etapa regulatória e validei com pacientes reais
Conduzi pesquisa de campo presencial, acompanhando pacientes em diferentes unidades e mapeando a jornada AS IS para identificar gargalos. Facilitei workshops com stakeholders multidisciplinares (médicos, equipe de enfermagem, operações e produto) para alinhar expectativas e co-criar o fluxo TO BE.
Documentei estados e regras (por exemplo: positivação reversa via Salesforce cruzando CPF e celular, fallback de login quando o link diverge, sempre permitir que o paciente continue sem travar quando uma integração cai, marcando os dados para coletar ou validar presencialmente na unidade), um Definition of Done por tela e as premissas técnicas do projeto (arquitetura modular por etapa, para que o mesmo conjunto de telas fosse reaproveitável em outras portas de entrada do hospital). Integrei o desenho com os sistemas reais por trás do processo: Salesforce, Tasy, GED corporativo, MDM e Elastic Search.
Herdei esse fluxo depois que a designer responsável saiu do time e reconstruí a experiência de ponta a ponta, incluindo os estados de fallback: erro recuperável com opção de tentar novamente, erro irrecuperável direcionando para o balcão físico, e um estado específico para quando o sistema encontra o agendamento em outro local, com duas saídas possíveis (falar com um atendente ou seguir até o local certo).
Desenhei uma jornada condicional (só pede o que ainda falta: selfie e reconhecimento facial apenas se o paciente não estiver na base; carteirinha do convênio só se aplicável), incluindo upload de documento e captura de selfie com reconhecimento facial. Pesquisei e fechei o benchmark de soluções de OCR, optando pela Unico para automatizar a leitura de documentos e reduzir erro manual de cadastro.
Para qualquer atendimento via convênio, o hospital precisa da assinatura do paciente para conseguir a liberação junto à operadora. Levei essa assinatura para o fluxo digital de pré check-in, o que significa que o paciente chega no dia da consulta ou cirurgia já liberado pelo convênio, restando só ser atendido ou internado, sem essa etapa burocrática consumir tempo no dia do atendimento presencial.
Rodei um teste de usabilidade (13/10/2025) do fluxo completo de pré check-in. O teste confirmou a tela de dados do paciente e o fluxo de documentos, e gerou ajustes concretos que entraram no roadmap: revisão da tela de dados do paciente, ajuste na tela de confirmação, revisão de textos gerais, e simplificação da foto do documento para exigir apenas a frente.
Um case sênior mostra o que foi sacrificado, não só o que funcionou.