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66% menos custo operacional: redesenhando o check-in de uma grande rede hospitalar

Client
Rede D'Or, a maior rede hospitalar do Brasil
My role
Freelance Senior Product Designer, squad Fast Check-in / Recepção Digital (acumulou, na prática, responsabilidades de Product Manager e Service Designer)
Timeline
Junho a dezembro de 2025 (6 meses)
What changed
Recepção presencial 100% humana, com custo operacional alto e jornadas complexas em pronto-socorro adulto/pediátrico, ambulatório e internação cirúrgica → autoatendimento digital ponta a ponta (totem + mobile), −66% de custo operacional, preservando atendimento humano para quem precisa
Totem de autoatendimento de recepção digital em lobby hospitalar

Overview

Uma grande rede hospitalar precisava reduzir de forma agressiva o custo operacional da recepção presencial em pronto-socorro, ambulatório e internação cirúrgica, jornadas de alto volume e alta complexidade. Entrei na squad Fast Check-in para redesenhar esse processo do zero: herdei e reestruturei o fluxo dos totens de autoatendimento (ambulatório e pronto-socorro), fui dona desde o início do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico, e escrevi as regras de negócio e critérios de aceite de cada tela, cobrindo na prática também o papel de Product Manager. A meta da empresa era eliminar quase toda a recepção humana. Entreguei uma redução de 66% no custo operacional, medida após o lançamento, preservando atendimento presencial para os casos que a automação não resolve.

−66%
Custo operacional de recepção
−45%
Tempo médio de espera
35%
Adesão inicial ao fluxo 100% digital
Concentrada em pacientes de 18 a 40 anos

The problem

A rede opera pronto-socorro adulto e pediátrico, ambulatório e internação cirúrgica, cada um com uma jornada de recepção diferente e um volume alto de atendimentos. A recepção era inteiramente humana, o que gerava fila, tempo de espera longo e um custo operacional que a empresa considerava insustentável. O objetivo de negócio era claro e agressivo: a liderança queria reduzir drasticamente o custo de recepção, o que na prática significava reduzir o quadro de profissionais de recepção presencial.

The solution

Redesenhei a recepção como um fluxo digital ponta a ponta: reestruturei o totem de autoatendimento (ambulatório e pronto-socorro) e fui dona, desde o início, do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico, escrevendo eu mesma as regras de negócio e os critérios de aceite de cada tela. Antecipei para o digital uma etapa que hoje só acontece presencialmente, a assinatura de liberação junto ao convênio, e validei o fluxo mobile com um protótipo navegável testado com pacientes reais antes do lançamento.

Who I worked with

Tech Lead
Developers
Product Owner
Researcher
Médicos, enfermagem e operação (stakeholders clínicos)

What I worked on

Pesquisa de campo (service design)
Regras de negócio e DoD por tela
Redesign dos totens de autoatendimento (AMB/PS)
Fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico
Telas de configuração do totem

My approach

Seis movimentos que transformaram uma recepção inteiramente humana num fluxo digital ponta a ponta, sem abrir mão do atendimento presencial para quem precisa dele.

01

Campo e regras de negócio

Mapeei a jornada real e escrevi as regras de negócio de cada tela

02

Totem e fluxo mobile

Reestruturei o totem e fui dona do fluxo mobile de pré check-in

03

Regulatório e validação

Antecipei uma etapa regulatória e validei com pacientes reais

1

Mapeei a jornada real dentro das unidades hospitalares

Conduzi pesquisa de campo presencial, acompanhando pacientes em diferentes unidades e mapeando a jornada AS IS para identificar gargalos. Facilitei workshops com stakeholders multidisciplinares (médicos, equipe de enfermagem, operações e produto) para alinhar expectativas e co-criar o fluxo TO BE.

2

Escrevi as regras de negócio e os critérios de aceite de cada tela, não só o desenho

Documentei estados e regras (por exemplo: positivação reversa via Salesforce cruzando CPF e celular, fallback de login quando o link diverge, sempre permitir que o paciente continue sem travar quando uma integração cai, marcando os dados para coletar ou validar presencialmente na unidade), um Definition of Done por tela e as premissas técnicas do projeto (arquitetura modular por etapa, para que o mesmo conjunto de telas fosse reaproveitável em outras portas de entrada do hospital). Integrei o desenho com os sistemas reais por trás do processo: Salesforce, Tasy, GED corporativo, MDM e Elastic Search.

Regras de negócio e DoD por tela
Recorte do diagrama de regras de negócio e Definition of Done por tela do fluxo de recepção digital
3

Reestruturei o fluxo dos totens de autoatendimento (AMB e PS)

Herdei esse fluxo depois que a designer responsável saiu do time e reconstruí a experiência de ponta a ponta, incluindo os estados de fallback: erro recuperável com opção de tentar novamente, erro irrecuperável direcionando para o balcão físico, e um estado específico para quando o sistema encontra o agendamento em outro local, com duas saídas possíveis (falar com um atendente ou seguir até o local certo).

Fluxo do totem — Ambulatório
Telas principais do fluxo de Fast Check-in no totem de ambulatório
  • Seleção de tipo de atendimento até confirmação e ticket
  • Validação por CPF com teclado numérico dedicado
Fluxo do totem — Pronto-socorro
Telas principais do fluxo de Fast Check-in no totem de pronto-socorro
  • Fluxo com pontos de decisão adicionais por complexidade do PS
  • Estados de erro e confirmação tratados a cada etapa
Estados de fallback
Três estados de fallback do totem: erro recuperável, erro irrecuperável e agendamento encontrado em outro local
  • Erro recuperável: opção de tentar novamente
  • Erro irrecuperável: direciona para o balcão físico
  • Agendamento em outro local: falar com atendente ou seguir até o local certo
4

Fui dona, desde o início, do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico

Desenhei uma jornada condicional (só pede o que ainda falta: selfie e reconhecimento facial apenas se o paciente não estiver na base; carteirinha do convênio só se aplicável), incluindo upload de documento e captura de selfie com reconhecimento facial. Pesquisei e fechei o benchmark de soluções de OCR, optando pela Unico para automatizar a leitura de documentos e reduzir erro manual de cadastro.

Home do pré check-in
Tela inicial do fluxo mobile de pré check-in, com validação por CPF
  • Entrada única por CPF, sem senha
Upload de documentos
Tela de upload de documentos e carteirinha do convênio no fluxo mobile
  • Jornada condicional: só pede carteirinha do convênio se aplicável
Selfie e reconhecimento facial
Tela de captura de selfie com reconhecimento facial no fluxo mobile
  • Só aparece se o paciente ainda não estiver na base
Revisão e confirmação
Tela de revisão e confirmação dos dados do paciente no fluxo mobile
  • Dados pré-preenchidos via MDM, com edição pontual habilitada
5

Antecipei uma etapa regulatória para o digital

Para qualquer atendimento via convênio, o hospital precisa da assinatura do paciente para conseguir a liberação junto à operadora. Levei essa assinatura para o fluxo digital de pré check-in, o que significa que o paciente chega no dia da consulta ou cirurgia já liberado pelo convênio, restando só ser atendido ou internado, sem essa etapa burocrática consumir tempo no dia do atendimento presencial.

6

Validei o fluxo mobile com um protótipo navegável testado com usuários reais

Rodei um teste de usabilidade (13/10/2025) do fluxo completo de pré check-in. O teste confirmou a tela de dados do paciente e o fluxo de documentos, e gerou ajustes concretos que entraram no roadmap: revisão da tela de dados do paciente, ajuste na tela de confirmação, revisão de textos gerais, e simplificação da foto do documento para exigir apenas a frente.

Trade-offs and constraints

Um case sênior mostra o que foi sacrificado, não só o que funcionou.

  • A meta da empresa era eliminar quase toda a recepção humana. Entreguei 66%, não 100%, por decisão de design, não só por limitação técnica. Toda tela do fluxo mantém "Atendimento via vídeo" e uma via de telechamada como CTA sempre visível, e o fluxo foi desenhado para redirecionar para atendimento humano sempre que o paciente não conseguisse resolver sozinho (dados incorretos, divergência forte de identidade, falha em assinar digitalmente). A diferença entre a meta e o resultado é exatamente a capacidade humana que decidi preservar para quem não consegue ou não deveria passar pelo autoatendimento.
  • A adesão inicial confirma que esse path humano não é opcional. No primeiro momento pós-lançamento, 35% dos pacientes adotaram o fluxo 100% digital, concentrados majoritariamente na faixa de 18 a 40 anos. Isso é evidência direta de que preservar atendimento humano não foi só cautela, foi necessidade: uma parte relevante do público (fora dessa faixa etária, ou que ainda prefere ou precisa do presencial) não migra para o digital de imediato, e o desenho precisava sustentar as duas pontas desde o início.
  • Priorizei continuidade da jornada sobre integração perfeita. A regra de negócio que escrevi determina que o paciente sempre pode seguir em frente mesmo quando uma integração cai, marcando o dado como pendente de validação presencial na unidade, em vez de travar o fluxo esperando o sistema.
  • Não desenhei o fluxo de totem do zero, herdei e reestruturei. Fui dona de ponta a ponta apenas do fluxo mobile de pré check-in e check-in cirúrgico. Deixo essa distinção clara porque é a atribuição real de ownership no projeto.
  • Escopo definido como MVP, não como solução completa. A decisão explícita foi testar e iterar até chegar num MMP, ampliando depois para outras unidades além da unidade piloto, em vez de tentar cobrir todos os casos de uso de uma vez.
  • O contrato freelance terminou em dezembro de 2025. A solução de OCR (Unico) foi decidida e integrada ao fluxo; não tenho dado de como o processo evoluiu depois da minha saída.

The impact

Custo operacional
−66% de custo operacional de recepção, medido após o lançamento, frente a uma meta inicial da empresa que era eliminar quase toda a recepção humana
Tempo de espera
−45% no tempo médio de espera, medido após o lançamento
Adesão inicial
35% de adesão inicial ao fluxo 100% digital, concentrada no público de 18 a 40 anos, uma leitura de adoção por perfil demográfico que reforça por que o atendimento humano segue necessário para outras faixas etárias
Liberação por convênio
Antecipação da liberação junto ao convênio para o fluxo digital, reduzindo fricção no dia do atendimento presencial em casos cirúrgicos
Validação
Validação com usuários reais antes do lançamento, com ajustes concretos aplicados ao fluxo de documentos e confirmação
Erro de cadastro
Redução de erro manual de cadastro via OCR (Unico), substituindo digitação manual de documentos
Visibilidade operacional
Ferramentas administrativas entregues junto (filas, mapeamento médico, parâmetros de atendimento), dando à operação visibilidade e controle sobre o novo fluxo, não só ao paciente